terça-feira, 1 de maio de 2012

Como um filme velho. Igualzinho

  
Gente sequestrada pela guerrilha, como o Jornalista francês Romeo Langlois, desaparecido há três dias, é tradada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia como 'prisioneira de guerra'. Quanto cinismo! Então, para os bandidos, trata-se de uma 'guerra', ao menos neste momento? Vamos ver se a interpretação será a mesma, no futuro das gerações vindouras, quando eles contarem que foram vítimas da truculência do 'terrorismo de estado'.

Alguém da moda dos 'direitos humanos', seja do próprio Human Rights Watch ou mesmo da Anistia Internacional, tenha a fineza de se pronunciar. De preferência, a favor do cidadão de bem e profissional no exercício de seu trabalho; não dos guerrilheiros, por obséquio, se não for pedir demais...

O que as FARC fazem aqui no vizinho é exatamente o que os subversivos faziam no Brasil, nos anos 1960 e 1970. Daqui a algum tempo, os vagabundos vão acabar se rendendo e se reintegrando à sociedade; vão pleitear anistia ampla, geral e irrestrita, envergarão a postura de bons moços (e moças boas, quem sabe), se candidatarão ao governo, se elegerão, assumirão o poder legalmente e... Quererão uma 'comissão da verdade', para apurar as 'atrocidades' cometidas pelos 'ditadores' contra si, na época em que eram perseguidos pelas verdadeiras Forças Armadas - as que defendem a Lei e a ordem - somente porque sequestravam e matavam numa 'luta pela democracia'.

Alguém saberia me dizer onde esta fita está em cartaz, nos dias de hoje?

   

quarta-feira, 25 de abril de 2012

A História se repete

  
Parece que a proximidade da instalação da Comissão 'da Verdade' está propiciando combustível para se escarafunchar feridas que a Lei da Anistia (aquela ampla, geral e irrestrita, como queriam os perseguidos) havia cicatrizado. Todo dia a imprensa lembra o caso de alguém que foi 'barbaramente torturado' nos tempos do governo militar. Naturalmente, todas pessoas de bem, quase santas, cujo delito foi 'lutar pela democracia'. Afinal, qual delas: a de Moscou, a de Pequim ou a de Havana, ainda tão reverenciada pelos nossos 'intelectuais' canhestros?

Aprovada em 1979, a lei propôs-se a fazer justiça e com ela todos concordaram. Hoje, a esquerda, aboletada no poder e trabalhando subterraneamente na cooptação dos jovens, quer outra coisa: vingança. Esse é o nome da 'justiça' unilateral que a comissão pretende, perseguindo tanto militares quanto quem mais ouse se opor à sua sede de sangue.

É então que me vem à ideia a sábia frase de George Santayana: 'os que não recordam o passado estão condenados a repeti-lo'.

(publicado também como comentário da coluna de Ancelmo Gois, em 25abr2012)

   

quinta-feira, 29 de março de 2012

Palestra no Clube Militar relembra as origens e fatos do movimento de 1964. Manifestantes de esquerda cercam prédio para intimidar participantes

  
Como estava a situação político-econômica do Brasil no início dos anos 1960 e por que foi necessário mudar drasticamente os rumos da História, em socorro do país e dos brasileiros. Uma palestra no Clube Militar, no Rio de Janeiro, propôs-se a esclarecer estes fatos, 48 anos após a deflagração do movimento que interveio no governo. Com o título '1964 - A Verdade', o evento aconteceu nesta quinta 29 no Salão Nobre da sede da Avenida Rio Branco, sob a mediação do Advogado Ricardo Salles, fundador e presidente do Movimento Endireita Brasil. Expuseram seus pontos de vista o Jornalista Aristóteles Drummond (articulista dos jornais O Dia, Diário de Petrópolis e Jornal do Brasil, este em edição eletrônica); o Psicanalista Heitor de Paola, escritor e comentarista político, membro do Conselho Consultivo da organização Brasileiros Humanitários em Ação e da ongue Terrorismo Nunca Mais; e o General-de-Brigada Luiz Eduardo Rocha Paiva, Doutor em Aplicações, Planejamento e Estudos Militares na Escola de Comando e Estado–Maior do Exército (ECEME) e instrutor da Academia Militar das Agulhas Negras, da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército. Cerca de 300 pessoas acompanharam as ponderações dos palestrantes, em pouco mais de uma hora e meia de apresentação.

No final do acontecimento, centenas de manifestantes brandindo bandeiras de partidos de esquerda (PT, PDT, PSTU, PSOL, PCB e PCdoB) sitiaram o prédio do Clube Militar, impedindo a saída dos participantes. Foi necessária a ação da Tropa de Choque da Polícia Militar, formando um corredor de isolamento para garantir a chegada das pessoas em segurança ao acesso à estação Cinelândia do Metrô. Desde antes do início da palestra, diversos deles já se postavam junto à portaria do edifício, vociferando insultos como 'assassino' e 'torturador', à chegada de quem se dirigia ao clube. Segundo a Polícia, 20 manifestantes teriam sido detidos na desordem, em que ocorreram a explosão de bombas de efeito moral e a interdição parcial da Avenida Rio Branco e da Rua Santa Luzia.

O tumulto foi insuflado na internet através - dentre outras - da organização Levante Popular da Juventude, que tem posto em prática protestos e atos de vandalismo pelo país, tendo como notória inspiração o ranço de vingança dirigido a militares acusados de atos de violência durante o regime de exceção.


(Acompanhe, no vídeo acima, a saída dos participantes do evento, sob escolta policial, diante do ataque raivoso dos desocupados que tomaram a Praça Floriano.)

Retrocesso, perigo e progresso

Ressaltando a necessidade de se dar a conhecer ambos os lados da História, com o auxílio de quem vivenciou os acontecimentos, para que se permita analisar os fatos de modo mais amplo e isento, Aristóteles Drummond citou que, até 1960, a economia brasileira era extremamente dependente da exportação de café (40% do volume exportado à época, contra 3% hoje), vivia uma inflação de 108% ao ano e ocupava a 46ª posição no renque mundial. Ele lembrou as medidas disparatadas do presidente Jânio Quadros - que renunciou inesperadamente, com menos de sete meses de governo - e a crise institucional que se agravou na administração de seu sucessor, João Goulart, inclusive com a necessidade de socorro dos Estados Unidos em relação a dinheiro para a compra de petróleo, negociado às pressas por Jango em Washington.

Aristóteles, que definiu os militares como soldados da justiça e da lealdade, mostrou que o movimento cívico-militar liderado pela classe foi decididamente empurrado pela sociedade, contando com o apoio dos três governadores mais importantes do país: Carlos Lacerda (da Guanabara, à época com o Rio de Janeiro ainda muito influente no cenário político nacional, quatro anos após a perda da capital federal); Adhemar de Barros (de São Paulo); e Magalhães Pinto (de Minas Gerais). A base política de então, que apoiava a intervenção militar, contou inclusive com o apoio do ex-presidente Juscelino Kubitschek, do PSD goiano, tido unanimemente, até hoje, como histórico democrata.

A redução da inflação anual, de 108% para 20%; a edição do Decreto-Lei 200, em 1967, reformulando e modernizando a administração pública na esfera federal; o programa de construção de casas populares feito pelo Ministério do Interior através do BNH (Banco Nacional da Habitação, criado para gerenciar os recursos do FGTS e absorvido pela Caixa Econômica Federal em 1986); e os investimentos em saneamento básico da ordem de 0,8% do PIB (hoje restritos a 0,35%, ou seja, menos da metade) foram mencionados como iniciativas de progresso dos governos da época. Também foram listados os feitos do último presidente militar, João Figueiredo (1979-1985), como o Projeto Carajás, as construções das usinas de Itaipu e de Angra dos Reis e o salto na produção de petróleo - que triplicou na sua administração. Um tempo em que, segundo ele, os homens públicos sabiam enfrentar crises sem tergiversar, com respostas rápidas para os problemas que surgissem.

Oposição e responsabilidade

Com algum saudosismo, Drummond fez referência ainda à oposição que se usava fazer no país, a qual considerava digna. Dela, pinçou os nomes de Nélson Carneiro, Amaral Peixoto, Tancredo Neves, Ulysses Guimarães e Franco Montoro, não esquecendo uma menção final ao deputado Miro Teixeira. Citou que, como signatário da Lei de Anistia de 1979, Miro não vê com bons olhos a criação da Comissão da Verdade, reiterando que é preciso olhar para a frente, sem rupturas que possam criar insegurança política.

Ressaltando que a comissão autodenominada 'da Verdade' mostra-se como sendo do ódio e do ressentimento, o Jornalista rememorou os atentados, sequestros, assaltos e as mortes de bancários, vigilantes e civis em geral, além de militares, assassinados em ações engendradas pelos simpatizantes da esquerda, criticando os falsos ideais motivadores desses atos (uma pretensa 'luta pela democracia' que, na verdade, escondia o objetivo de se implantar uma ditadura comunista) e as benesses de que gozam hoje muitos dos agitadores de outrora, por meio de indenizações milionárias concedidas a si num verdadeiro espírito de investimento para o futuro. Lembrou, por fim, que as primeiras vítimas das ações criminosas dos opositores do regime foram o vice-almirante reformado Nélson Gomes Fernandes e o jornalista e secretário do Governo de Pernambuco Édson Régis de Carvalho, mortos no atentado do Aeroporto dos Guararapes, em Recife (PE), em julho de 1966.

Autoritarismo e totalitarismo

No início de sua preleção, o médico Heitor de Paola fez menção às perdas de Chico Anysio e Millôr Fernandes, ocorridas nos dias anteriores, ao considerar que a geração dos dias atuais não tem nomes do mesmo gabarito, no humor, para ocupar destaque semelhante. Na sua opinião, a juventude deste início de século XXI situa-se entre a sisudez e a libertinagem, ao se referir, respectivamente, à forte cooptação de um grande número de jovens para movimentos de protesto rancoroso contra a direita e ao estilo de humorismo desqualificado praticado atualmente na televisão.

Heitor, que atuou em movimentos da esquerda e chegou a ser preso por sua militância na Ação Popular e na UNE, lembrou o período de maior crescimento cultural no Brasil exatamente no intervalo que se gosta de chamar de 'ditadura militar', quando houve os célebres festivais da canção e foram criados o Teatro Opinião e o Teatro Popular. Ele desafia personalidades ainda hoje expoentes da vida cultural e política, que tiveram participação ativa na militância contra os governos militares, como o ex-deputado Fernando Gabeira, a darem suas versões sobre os acontecimentos dos anos pós-1964, confirmando que o real objetivo do movimento era implantar um regime semelhante ao existente em Cuba.

Na sua avaliação, o Brasil daquele tempo caminhava - como marcha novamente hoje - na direção de um estado totalitário, que absolutamente tudo regula, em que a união de pequenas minorias pretende decidir o destino da grande maioria. Assim, vivemos cada vez mais intensamente a ditadura do politicamente correto, sufocados pelo patrulhamento ideológico implacável da esquerda. Esta postura de opressão, até na intimidade do pensamento, é que distingue, segundo de Paola, o autoritarismo - exercido nos governos militares - do totalitarismo, que é a prática típica dos regimes ditos 'socialistas'.

Combate ao caos

O General Rocha Paiva, cuja preleção encerrou o evento, começou explicando por que compreende que foram exatamente os militares, acusados de truculência e terrorismo de estado, que tornaram possível a democracia no Brasil. Ele lembrou a instabilidade política do governo do presidente João Goulart, no qual o chefe do poder tentara declarar estado de sítio no Brasil (em outubro de 1963), além de fomentar a subversão, por intermédio de insubordinações no seio das Forças Armadas - revolta dos sargentos em setembro de 1963; comício de 13 de março de 1964 na Central do Brasil; motim dos marinheiros, 14 dias depois; e jantar do Automóvel Club do Brasil, em 30 de março, véspera da tomada do poder, com ameaça direta do presidente aos oficiais.

Segundo o general, era imprescindível corrigir os rumos do país, mesmo à custa do rompimento da ordem constitucional. Lembrou que Jango já não contava mais com apoio para manter-se no poder e que até a imprensa clamava pela restituição da ordem democrática. (A edição do Globo de 31 de março de 1964, nitidamente contrastando com a publicação online de 29 de março de 2012, que descreveu a palestra como sendo de 'militares comemorando o golpe', publicou, com todas as letras: 'a democracia não deve ser um regime suicida, que dê a seus adversários o direito de trucidá-la, para não incorrer no risco de ferir uma legalidade que seus adversários são os primeiros a desrespeitar'.)

Rocha Paiva afirmou ainda que todos os presidentes militares eram favoráveis à redemocratização, que começou com Ernesto Geisel e consumou-se com João Figueiredo. Disse ainda que a resistência armada, no Brasil, jamais foi reconhecida internacionalmente, à exceção de alguns países que professam a fé socialista totalitária, e que aqui os opositores abandonaram a luta derrotados, reintegrando-se à ordem democrática e à sociedade.

Os palestrantes concordam que é necessário circular com maior intensidade informações que ajudem as novas gerações a ter uma visão mais clara e isenta do movimento de 1964, distante da pregação raivosa que os setores de esquerda insistem em fazer. E que, para isso, os militares, em especial os da reserva, que viveram a época, devem se dispor a ser mais transparentes, aceitando discutir o assunto, sem medo das feridas nem dos traumas. Esta abordagem vem se tornando cada vez mais difícil, por causa da penetração subterrânea de ativistas socialistas na imprensa nos últimos anos. Essa ocupação tem sistematicamente negado espaço a uma versão que precisa ser contada e ao conhecimento de fatos que vêm sendo deturpados ou, simplesmente, negados por seus protagonistas.

Enfim, segundo todos eles, é preciso 'abrir o jogo' com relação aos acontecimentos daquela época, sem constrangimento e, finalmente, rompendo o 'muro de Berlim' imposto pela mídia.

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Assista ao vídeo feito pelo Globo (que tratou o evento como sendo uma 'comemoração' de militares pelo aniversário do movimento de 1964), contando com depoimentos de um 'valente' manifestante e de uma 'estudante de Jornalismo' que alega ter sido ferida pela Polícia, mas cujos 'ferimentos' são apenas tinta vermelha. Em http://oglobo.globo.com/videos/v/jovens-enfrentam-militares-no-rio-de-janeiro/1880891/)

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(Veja abaixo mais filmes e fotos da intimidação feita aos participantes do evento. Para mais registros e outra abordagem do evento, indico ler a postagem '29 de Março de 2012, Cinelândia. A VERDADE', no blogue Papo de Filhinha de Papai [http://papodefilhinha.blogspot.com.br]. E uma última pergunta que não quer calar: é isso que essa gente pratica e defende, a título de 'democracia'?)











   

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Respeito é bom




Mesmo para quem não assiste ao 'Big Brother Brasil', é impossível ficar indiferente aos acontecimentos. Os jornais - e não apenas os sensacionalistas - remexem dia após dia e a revista semanal mais importante do país, a Veja, traz uma capa emblemática sobre o assunto. A foto (de uma mulher de biquíni, de costas, com uma tarja preta cobrindo parcialmente a parte de baixo), tal como lida pelas pessoas que se julgam, além de antenadas, também conscientes, dá o recado, curto e grosso, em sentido amplo, não restrito àquele dito vulgar tão conhecido: ah, 'tem dono', sim.

A disseminação de episódios chulos, nos quais os participantes do programa são instados a beber (e só não o são a se drogar, porque aí seria o fim do mundo...) para liberar a autocensura e dar vazão a todo e qualquer tipo de instinto mais primitivo diante de qualquer um e todo mundo, é duplamente financiada. Pelo público - que paga para subscrever a transmissão pelos canais por assinatura e também para 'votar' (será que é o público quem escolhe mesmo?) nos 'eleitos' - e pelos gordos patrocínios dos anunciantes-masters. Estes, por sua vez, cevam seu caixa com a venda de seus produtos ao mesmíssimo respeitável público, nos supermercados da vida. Ou seja: os senhores telespectadores, direta ou indiretamente, estão bancando o deplorável espetáculo.

A esquerda, dona do poder, agradece. O pão, insiste o noticiário econômico, tem vindo pelo 'aumento real de renda do povo'. O circo, por sua vez, está definitivamente montado - inclusive não falta quem 'arme o pau da barraca' em pleno picadeiro. Que país feliz, este em que vivemos...

E toca o bonde, que em 2012 tem eleição e o mundo se acaba dia 21 de dezembro - segundo os Maias, à exceção do Cesar.

   

sábado, 21 de janeiro de 2012

Possam as margens plácidas do Ipiranga, enfim, ouvir

  
O Brasil por trás da cortina, que trilha seu futuro por entre os meandros e dejetos da política da Lei de Gérson, ganhou um retrato fiel para quem quiser conhecê-lo mais a fundo. A minissérie 'O Brado Retumbante', com exibição programada para entre os dias 17 e 27 de janeiro pela Rede Globo, apresenta o submundo do poder com requinte de detalhes, produção primorosa e, por que não, situações fictícias de contundente apelo realístico.

O autor Euclydes Marinho apresenta, para começar, o senador Nicodemo, interpretado por Luís Carlos Miele: um homem com 50 anos de vida pública e influência incontestável nas duas casas parlamentares federais. Com o percalço da assunção do presidente da Câmara, Paulo Ventura - interpretado pelo ator Domingos Montagner - à presidência da República (a capital política, na trama, volta ao Rio de Janeiro, onde fica o 'Palácio Presidencial'), a saga de Nicodemo passa a ser infernizar a vida do novo chefe do Executivo, que defende preceitos que parecem antiquados, como ética, decência e moralidade. Sem trejeitos nem qualquer traço caricato, o personagem diz a que veio e mostra, incontestavelmente, quem de fato retrata, da vida real.

O jogo de interesses, praticado da forma mais despudorada possível, aliado à manipulação da verdade e à submissão do povo à vontade dos poderosos, põe a nu 512 anos de nossa história, em que estes vêm cada vez mais se assenhoriando das riquezas e das vidas de todos nós. Um abuso que tomou proporções ainda maiores, depois que catapultaram a capital do país para o meio do mato, mais de seis décadas atrás.

Falta metade dos capítulos ir ao ar. Mas já se é possível dizer tratar-se de um dos melhores retratos tirados da política brasileira.

   

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Carta a Ricardo Boechat

  
Prezado Ricardo Boechat

Ouvinte atento é um problema.

Acompanho com prazer a BandNews Fluminense FM desde aquele domingo, 20 de maio de 2005, quando fiquei na escuta do rádio do carro à espera da entrada da nova emissora no ar. Acostumei-me com o estilo, com o pulsar das notícias e permaneço fiel ouvinte, tanto quanto meu tempo permite. E, como terapia contra os maus momentos da vida, quero declarar que rio a valer com o seu impagável papo matinal com o - não menos impagável - José Simão. 

Escutei hoje - quarta 14 - cedo sua nota a respeito do protesto de ouvintes contra a não menção ao livro do Amaury Ribeiro Júnior, tratando de maracutaias nas privatizações. Gostei da sua ponderação, com relação ao fato de que houve progressos na área das telecomunicações, sem que isso, é claro, possa servir de justificativa para a eventual malversação do (nosso) dinheiro público. 

O que me leva, então, a lhe escrever é o gancho que o assunto faz para a nossa maior mazela nacional: a corrupção. A imprensa tem sido implacável nas denúncias aos crimes de lesa-pátria que o alto escalão do governo vem perpetrando, a ponto de suscitar frases lapidares como a do Paulinho da Força, que não admite que a imprensa venha detonando ministros a cada quinze dias. Sendo ou não um 'quarto poder', apelido que inspirou até o nome do programa de tevê do Roberto Faith; sendo ou não a manifestação verdadeira de uma 'opinião pública', no sentido de expressão autêntica de clamores populares, o fato é que eu acho que o país tem, sim, a agradecer pelo serviço que a investigação jornalística tem prestado ao Brasil, mostrando os bastidores infelizmente imundos da nossa política. 

Só que, Boechat, eu considero que é preciso mais do que isso: é imprescindível que os órgãos de comunicação, separadamente ou num só grande coro, emplaquem uma campanha nacional anticorrupção. Manter as denúncias, sim, porque é o trabalho do Jornalismo. Porém avançar nisso, engendrando uma cruzada também implacável, compondo frases, slogans, cartazes, galhardetes, filmes publicitários, spots de rádio, enfim, um mundo de coisas, numa grande campanha contra a corrupção. Jornalistas e empresários de comunicação são cidadãos, que têm - eu imagino - os mesmos reclamos do ouvinte, do leitor, do telespectador, que estão de saco cheio de ver escoar para os bolsos de um bando de vigaristas o suado dinheiro que somos obrigados a verter para escolas melhores, hospitais decentes, estradas seguras e tantos outros direitos básicos que nós, contribuintes, temos que exigir. 'Lugar de corrupto é na cadeia' me parece um bom mote, a ser devidamente trabalhado por um marketing competente, com o auxílio de uma programação visual forte, direta e sem medo. Sem medo, como é do bom Jornalismo. 

Sem medo da represália de um governo que tem buscado as formas mais sub-reptícias de censura à liberdade de expressão em cada ato pensado dessa gente que aí está, que parece se esquecer de que a liberdade de que dispõe, até para isso (tentar cerceá-la), é um bem dos mais sagrados. Sem medo da ameaça do corte de verbas publicitárias oficiais (olha a censura aí!), o tipo do temor que costuma levar ao silêncio conivente e conveniente à garantia da sobrevivência. Sem medo do retumbante sucesso que essa mobilização fará nas almas de 190 milhões de brasileiros, ávidos por um basta no vilipêndio de seu patriotismo. 

Liberdade, sim, com a responsabilidade de usá-la. Você já disse no ar que não suporta mais falar de José Sarney, por tudo o que ele representa. Concordo plenamente com o seu ponto de vista. Quanto à 'presidenta', contudo, discordamos: você fala que essa senhora tem 'biografia' (para mim, tem prontuário policial), para aplicar seu 'chinelo moral' naqueles que cometem 'malfeitos' (eufêmico demais; pelo Código Penal, são delitos). Direito mútuo nosso, de vermos diferentemente. Que bom! 

Que tal empreendermos essa campanha moralizadora, com a penetração e o poder de abordagem que a imprensa possui? Ficam a ideia e o meu contato (inclusive dos meus blogues, capitaneados pelo Blogues do Marcelo), à disposição.