quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Fundador do GETTR é liberado e retorna aos EUA

Após ter sido ilegalmente detido para averiguações pela Polícia Federal, ontem, em Brasília, o fundador do GETTR, Jason Miller, retornou aos Estados Unidos. Miller esteve no país para participar da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), que aconteceu na capital federal.



A prisão tinha sido feita a mando do iluministro Alexandre de Moraes, sob o pretexto de ouvir o empresário sobre sua pretensa participação nas manifestações populares rotuladas pela grande mídia e pelo STF como 'protestos antidemocráticos'.

Em tradução livre, a publicação de W C Maloney, Diretor de Estratégia de Comunicação do aplicativo, diz: 'o que eu vejo aqui... É muito amor e muito entusiasmo pela liberdade de expressão, especialmente, da parte dos apoiadores de Jair Bolsonaro'.

O GETTR, que começou suas atividades em 5 de junho deste ano, possui mais de dois milhões de seguidores no mundo inteiro, dos quais cerca de 270 mil são residentes no Brasil.

terça-feira, 7 de setembro de 2021

Ressaca cívica: a Nova Independência, o renascimento do Brasil e a resistência do establishment

Sete de setembro de dois mil e vinte e um. Uma data a se escrever por extenso, mostrando toda a imponência dessa especial comemoração do Dia da Pátria, repleta de sentimento de apreço pelo país. A um ano do Bicentenário da Independência, estamos celebrando uma nova liberdade. Que ainda não foi totalmente consumada, mas que vem ganhando forma e grandeza, pelas mãos de milhões de brasileiros, desejosos de um país melhor, mais digno, mais justo.

Todos cumprimos os nossos papéis, nesse dia histórico de multidões que quase não cabiam no espaço das ruas e se irmanava, do modo mais pacífico do mundo, pela causa do Brasil. Sim, porque a causa foi a pátria, não uma figura específica, ainda que relevante no contexto. Era o Dia da Pátria, cabe frisar, e fomos reverenciá-la naquilo de mais caro que ela nos tem a oferecer: a vontade e a liberdade para fazê-la grande. E, sobretudo, nossa: dos brasileiros, todos eles, estejam conosco nessa luta ou abdicando dessa prerrogativa, por medo ou alienação ideológica.

Para enfrentar os desafios e, principalmente, os enormes obstáculos que os usurpadores do poder vêm interpondo ao progresso e ao bem-estar de todos, nossos peitos e nossos braços têm sido muralhas do Brasil, parafraseando Evaristo da Veiga, numa das estrofes do Hino da Independência. E essa muralha se compôs de gente, na Avenida Atlântica, no Rio de Janeiro; na Esplanada dos Ministérios, em Brasília; e na Avenida Paulista, em São Paulo, para citar as três maiores manifestações populares, democráticas, que aconteceram no país.

Trabalhadores, donas de casa, estudantes, gente jovem, gente menos jovem, crianças, estavam todos na Praia de Copacabana, ressalvada aqui para registrar o meu ponto de vista particular, vivido ali, ao vivo, em cores, as quatro cores da nossa bandeira. Melhor astral, impossível, para um feriado de sol que prometia. E cumpriu a promessa.

Mas não foi assim que a grande imprensa noticiou os fatos. Comprometida com o establishment que vem sendo deposto paulatinamente do poder, a mídia suja dos conglomerados tradicionais, padecendo de forte síndrome de abstinência de verbas públicas, tentou outra história, da carochinha, nada convincente. Diferente da História, com H maiúsculo, que fica nos livros e registros oficiais, mesmo a contragosto de editores-redatores-chefes de pasquins arrogantes, e de arremedos de professores maltrapilhos, com a barba fedendo a maconha.

A escalada (introdução com menção às principais reportagens) do Jornal Nacional de hoje foi um primor de dissociação da realidade. Nosso clamor por um país justo foi rotulado como um protesto antidemocrático, eivado de ódio, com ataques indiscriminados às instituições que sustentam a democracia e com o requinte da postura tirânica do Presidente da República! Foi assim mesmo que William Bonner e Ana Luíza Guimarães tiveram a pachorra de descrever o movimento, não esquecendo, é claro, o tom ameno e enaltecedor para o protesto (este, verdadeiramente um) da horda esquerdista, no Vale do Anhangabaú.

Na GloboNews, o canal pago de notícias do grupo, conseguiu-se a proeza de embaralhar o raciocínio, com uma imagem de um cartaz de fundo vermelho com os dizeres 'em defesa da revolução e ditadura proletárias', e uma legenda que indicava a Avenida Paulista (na verdade, eram os comunistas no Vale do Anhangabaú) e o texto 'protesto em São Paulo em defesa da democracia'. Ou seja: para os michês que militam na redação dos Marinho, a ditadura do proletariado é democrática! Ou, sem querer, podem até ter acertado, associando, na leitura estrita da legenda, a manifestação da Paulista, esta sim, à democracia, o que confere. Enfim, duplipensar é o jogo.

Só que o melhor da festa foi o discurso épico do Presidente Jair Bolsonaro, com quase 20 minutos de duração, feito num carro de som em São Paulo. O chefe do Executivo reiterou sua fidelidade aos desejos da população, sendo duro ao extremo com o Supremo Tribunal Federal e, mais especificamente, com o iluministro Alexandre de Moraes, a quem acusou de açoitar a democracia. Bolsonaro deixou claro que O Glande tem usurpado suas atribuições, extrapolando os limites legais e constitucionais de suas atitudes. Como aviso ao presidente da corte, repetindo o que já havia dito aos manifestantes em Brasília, mais cedo, apontou a Luiz Fux a necessidade de se afastar Moraes, responsável por prisões arbitrárias (que transformam os detidos por 'crime de opinião' em autênticos presos políticos) e outras condutas tão abusivas quanto reprováveis, no exercício de sua função.

Bolsonaro foi firme em dizer que não será afastado por impeachment nem preso, aludindo ao fato de que não acatará ordens de Alexandre de Moraes que flagrantemente firam a legalidade e a constitucionalidade.

Nesta quarta-feira 8, o Presidente convocará o Conselho da República, para discutir o conturbado momento político. Luiz Fux adiantou-se em dizer que não irá à reunião, embora sua presença nem esteja prevista na constituição do Conselho. Rodrigo Pacheco, presidente do Senado e do Congresso, afirmou que também não participará do encontro. O Senado Federal é o órgão dos Três Poderes que tem a prerrogativa de abrir processos de impeachment contra ministros do STF, iniciativa que Pacheco já revelou não ter, apesar de toda a grita contra Alexandre de Moraes - o que inclui um abaixo-assinado popular com mais de três milhões de assinaturas, que repousa em sua gaveta.

O Conselho da República é um órgão superior de consulta do Presidente que tem por atribuição pronunciar-se sobre intervenção federal, estado de defesa, estado de sítio e questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas.

No final da noite desta terça, em reunião dos ministros do Supremo sobre as falas de Jair Bolsonaro, todos opinaram que o presidente da República teria produzido mais provas contra si mesmo nos inquéritos já em curso no STF e no TSE. Assim, Alexandre de Moraes pedirá a inclusão dos novos discursos do Presidente no inquérito (ilegal e inconstitucional) das fake news, pela menção a desconfianças ao sistema eletrônico de votação. Os caras não entenderam o espírito da coisa, no supremo puteiro da Praça dos Três Poderes. O caldo está fervendo e prestes a entornar.

Que não se perca, contudo, a percepção da beleza deste momento único e marcante, do qual guardarei, além de uma grata lembrança, a esperança de ver o meu Brasil na direção certa.

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Veja registros do Sete de Setembro também em https://gettr.com/user/mfecardoso

Já é dia 7! Viva o DIA DA PÁTRIA!

É hoje!



segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Luto patriótico


Neste domingo, mais de sete milhões de pessoas, cerca de 6% do eleitorado, votaram em branco ou anularam o voto. Compareceram às urnas para dizer, por meio delas, com absoluta empáfia: eu me omito diante do que está acontecendo no Brasil. Outros 30 milhões, um em cada cinco votantes, fizeram exatamente a mesma coisa, abstendo-se de votar. Para esses 37 milhões de brasileiros, descontando-se as honrosas exceções de idosos, doentes e ausentes por razões de trabalho, as desculpas foram várias, desde não gostar de um, de outro, ou de ambos os candidatos, a achar que seu voto, sozinho, era uma gota no oceano e não faria falta, no final das contas. Certamente fez. A diferença a favor da candidata da situação foi de 3 milhões e meio de votos. Os que não se manifestaram, nem por Aécio, nem por Dilma, somaram portanto quase onze vezes isso.

São brasileiros que preferiram um silêncio cúmplice da má administração do país, com inflação desenfreada, economia estagnada e insegurança generalizada em nossas cidades. Talvez dinheiro não lhes faça falta, o emprego abunde e haja fartura em suas despensas. E existam guarda-costas suficientes para garantir-lhes a tranquilidade necessária à vida.

Brasileiros que optaram por fechar os olhos diante dos recorrentes casos de desmando, aparelhamento do Estado e corrupção, fazendo de conta que nada disso existe e que os fatos se resumem a campanhas difamatórias, orquestradas por grupos políticos determinados a galgar o poder a qualquer preço. Talvez lhes falte discernimento e capacidade de raciocínio. Ou ainda conhecimento mais profundo, não ideologicamente contaminado, da História do Brasil.

Brasileiros que entraram no jogo da disseminação do ódio, aceitando a manobra de transformar adversários políticos em inimigos conflagrados e cindir a nação ao meio, colocando irmãos contra irmãos como estratégia para permanecer no poder. Talvez não compreendam o significado de palavras como família e Deus, ou careçam do verdadeiro Amor em seus corações.

Brasileiros que endossaram o apequenamento de seu próprio povo, consentindo que a escravidão promovida pelo assistencialismo de governo se perenize para um gigantesco contingente de famintos por pão, saúde e educação, aos quais não se dá migalha senão como moeda de troca por voto. Talvez tenham dificuldade de perceber que essas pessoas merecem respeito e dignidade, tanto quanto têm o direito de almejar um futuro promissor, com a recompensa correta por seu trabalho. 

Neste 26 de outubro de 2014, venceu a democracia. Como tem sido da tradição política de nossa História recente. Que bom. Entretanto, por tudo que exponho aqui, penso que perdeu o país. Por esta razão, impõe-se um luto patriótico. Ao menos, para mim.

domingo, 7 de setembro de 2014

Intolerância ou Morte!


Neste Dia da Pátria, quando nos lembramos de quão importante e caro deve ser o conceito de independência, cabe uma breve reflexão do quadro eleitoral relativo à campanha pela presidência da República. Isso, ainda antes da digestão completa da delação premiada de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobrás, que deve trazer novidades e provocar abalos sísmicos nos píncaros da escala de Hichter, tanto em Brasília quanto dentro da estrutura do Partido dos Trabalhadores (sic). A semana promete.

O candidato Aécio Neves, a melhor opção para o país na minha opinião, definitivamente não decolou. Não por culpa da não homologação da pista do aeroporto de Cláudio (MG), aliás outro daqueles golpes baixos que a petralha gosta de lançar sobre seus opositores. Mas certamente pelo excesso de zelo do PSDB em fazer uma campanha livre do jogo sujo de ataques sistemáticos aos adversários, estratégia da qual o distinto eleitor também já está de saco repleto. Só que a pura apresentação de propostas não está sendo o suficiente. Ou, de repente, paira no ar aquela coisa do telhado de vidro, que traz junto o medo de uma pedra perdida. Os tucanos, enfim, estão com o (grande) bico calado demais.

O medo, a propósito, tem sido o mote de campanha do PT: apavorar os eleitores menos ou nada esclarecidos, espalhando mentiras sobre Aécio e também Marina Silva, querendo fazer crer que qualquer dos dois, se eleitos, porão em risco a segurança de ações em prol do emprego e do amparo à população. E tome a máquina do governo trabalhando para isso.

Marina, herdeira da candidatura de Eduardo Campos, por sua vez, de certo modo disse a que veio. Tem provado que a chapa do PSB estava o tempo todo errada e que ela tinha mais apelo do que ele, perante o eleitorado. O problema de Marina talvez fosse o jeito xiíta da turma da Rede Sustentabilidade, que assusta até mesmo a esquerda. Perdeu-se um pouco de tempo, mas a própria comoção com a morte estúpida de Campos acabou ajudando as coisas a se porem nos lugares certos.

Ocorre que o desejo de pôr fim ao governo do PT, dentre as pessoas de bom senso e um mínimo de caráter, é tão grande que acaba sendo exatamente ela a candidata capaz de aglutinar forças contra Dilma Rousseff. No desespero (a palavra é essa mesmo), que seja Marina, então. Acredito que até os que votam em Aécio Neves têm levado essa possibilidade em conta, se amam, de fato, o Brasil.

O que pode tranquilizar um pouco a nós todos, no tocante a não se conhecer bem as propostas e os aliados de Marina, são notícias de que a candidata tem buscado uma postura humilde de conciliação, no sentido de se cercar de pessoas, das mais variadas correntes ideológicas, com o propósito de levantar o país. Fala-se em ministeriáveis do calibre de José Serra (do PSDB, responsável pela introdução dos remédios genéricos), para a Saúde, pasta da qual já foi titular; e do ex-senador pelo PDT Cristovam Buarque, um fervoroso defensor da educação de qualidade, para a Educação. Até o Clube Militar, que tem suas reservas com relação a Marina Silva, lançou um manifesto favorável à sua escolha pelo voto popular, sem deixar de criticá-la naquilo que considera pertinente.

Enfim, está surgindo, a pouco menos de um mês da eleição, um esboço de união de esforços com o nobre propósito de salvar o Brasil do petismo e de sua sanha, do poder pelo poder, sem limites e sem escrúpulos. A junção de energias aparentemente distintas e inconciliáveis, em prol de uma causa maior, que é o próprio país, quer se sobrepor a um governo dito de coalizão, cuja tática de negociação limitou-se à compra de partidos e votos para servir-se da política em favor de sua perpetuação no poder.

A hora de mudar, finalmente, chegou.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Jogo sujo, Estado aparelhado

  
'Esta é uma tarde triste para este STF porque, com argumentos pífios, foi reformada, foi jogada por terra, extirpada do mundo jurídico uma decisão plenária sólida, extremamente bem fundamentada, que foi aquela tomada por este plenário no segundo semestre de 2012.'

A constatação melancólica foi do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, nesta quinta 27, após a reforma das sentenças de oito mensaleiros, em função dos embargos infringentes impetrados. Com a nova decisão da suprema corte, as figuras mais emblemáticas do maior escândalo de corrupção já visto no Brasil beneficiam-se do livramento da condenação por formação de quadrilha, podendo progredir rapidamente de regime, até o aberto, em poucos meses.

José Genoíno e Delúbio Soares ganham a rua ainda este ano. José Dirceu, no ano que vem.

Como brasileiro, respeitador da Lei e pagador de impostos, esse trágico desfecho fez-me sentir como se houvesse levado um sonoro tapa na cara, ou um murro na boca do estômago. Ou ambos. E, ainda por cima, com meus algozes sustentando o sorriso mais cínico do mundo entre os dentes. Adjetivos como o esperado 'lamentável' são eufemismos suaves demais, para tentar definir essa traição perpetrada por alguns dos distintos (?) membros do Supremo.

Está indiscutivelmente patente, com a manobra da reforma das sentenças, que o PT aparelhou um dos últimos baluartes da hierarquia do Estado: a corte mais alta do país. Um a um, desde o início da Era Lula, foram sendo empossados ministros escolhidos a dedo, subservientes à causa petista, de modo a facilitar as coisas para o partido do governo. Nem todos, felizmente, se curvaram, entendendo que sua nomeação dava-se a serviço da pátria, não implicando obediência às ordens dos ocupantes do Poder Executivo. Alguns, contudo, se prestaram ao papel de lacaios do petismo. Na verdade, nem causaram surpresa com isso.

Ainda nos resta uma instância final, talvez a última esperança, à qual nos agarrarmos para frear, em caráter de urgência, a sanha esquerdista que está sufocando o Brasil: as Forças Armadas. Neste momento, porém, ao contrário do que poderíamos imaginar, em vez de os soldados saírem em nossa defesa, cabe antes aos bons brasileiros lutar por elas, repudiando o modo como esse governo as têm tratado. Exército, Marinha e Aeronáutica vêm sofrendo uma sórdida campanha, muito bem orquestrada, por meio de dois flancos: a ausência de investimentos, que está sucateando os recursos materiais e subjugando o moral da tropa; e as ações da Omissão da Verdade, cujo espírito revisionista norteia-se por um viés indisfarçável de revanche, tentando dilacerar de modo amplo e gratuito a honra dos militares. Exatamente aqueles que, cinquenta anos atrás, precisaram intervir nos rumos do país, ante os apelos da população, para evitar que o Brasil sucumbisse à desgraça comunista.

Só mesmo a disciplina, pela qual indefectivelmente se pautam, tem impedido, até o momento, que os militares reajam aos desmandos de sua 'comandanta-em-chefe'. E o PT, que joga e sempre jogou sujo com o Brasil, vem confiando nessa postura, na condução do país rumo ao precipício.

Nosso país está desorganizado, com a economia produzindo resultados pífios, a inflação corroendo nossa riqueza e nossos salários, a corrupção instalada nas entranhas da administração central, a política (inclusive a internacional) relegada a uma atividade desonesta, a violência acuando a nós todos e a incitação de conflitos sociais de toda sorte (pobres contra ricos, patrões contra empregados, negros - e outras etnias - contra brancos, heterossexuais contra homossexuais). Tudo isso nos remete à pior visão possível de futuro.

Mas também nos alerta para a necessidade inadiável de mudar o caminho que temos pela frente, com as eleições de outubro próximo. Necessidade de convencer o maior número possível de pessoas de que é mais do que hora de tirar o PT do comando e salvar o Brasil. E que, para o bem de todos e felicidade geral da nação, isso seja feito pelo voto.

Joaquim Barbosa deixou, por conta disso, uma frase final profética, sobre os rumos do aparelhamento do Estado pelo PT - com a qual este texto se encerra.

'Sinto-me autorizado a alertar a nação brasileira de que este é apenas primeiro passo. Esta maioria de circunstância tem todo tempo a seu favor para continuar nessa sua sanha reformadora. Esta maioria de circunstância (foi) formada sob medida para lançar por terra todo um trabalho primoroso, levado a cabo por esta corte no segundo semestre de 2012.'

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Bem-vindos a um novo Brasil

  
A Copa do Mundo com todo o seu 'padrão FIFA' e os Jogos Olímpicos, cujos altos custos, aliados ao aumento dos transportes públicos, compuseram a mistura explosiva que enfim trouxe a massa às ruas, teve uma etapa vencida. O Brasil foi campeão da Copa das Confederações, prévia da competição de 2014, em solo futebolístico sagrado, honrado por quase 80 mil torcedores e, notoriamente, sem a presença dos mandatários dos três níveis de governo. No máximo, um desimportante ministro dos Esportes (como é o nome dele mesmo?) esteve ali, ao lado do presidente da FIFA. Com seus índices de popularidade precipício abaixo, prefeito, governador e presidente da República contentaram-se em assistir pela televisão aos três a zero sobre a Fúria, evitando que outra delas eclodisse em pleno Maracanã contra si, manifesta pela torcida por um Brasil melhor.

Que bom, para a classe política, que o foco internacional se distanciará um pouco das manifestações de rua, com o fim da competição. Bom, também, que os protestos persistam, porque ainda é preciso mudar muita coisa. Aliás, oficialmente por conta desse expediente e, é claro, para avaliar os estragos profundos nas intenções de voto nos partidos da base amestrada, nossa governanta reúne hoje seus 40 - aliás, 39; Ali-Babá é que tinha 40 - ministros para... Sabe Deus (quem sabe, nem Ele) exatamente o quê. A ideia é discutir os pontos trazidos à baila pelos protestos e propor uma linha de ação a respeito. O dever de casa deixado de fazer nos dois anos e meio de letargia anteriores a todo o vômito popular que se viu.

Fato é que o fenômeno da cara de pau existe e essa turma comunista bem que está tentando tirar algum proveito da situação, se é que isso é possível depois do despertar do povão. Todo mundo sabe que Dilma Rousseff foi eleita a 'preferida' de Lula em 2010 somente porque José Dirceu, envolto no mar de lama do mensalão, estava fora de combate e ele próprio, o ex, não poderia candidatar-se a um terceiro mandato seguido - embora muito desejasse. Meio mundo petralha não engole a governanta, a não ser com, pelo menos, duas colheres de sopa de óleo de rícino, para poder passar goela abaixo. Com o seu governo em crise, parece ter chegado o momento de meter-lhe o pé na cabeça para enterrá-la mais ainda, algo bem próprio do caráter do Petê, aproveitando a ocasião para propor Lula como salvador da pátria: o Sassá Mutema do século 21 - com todo respeito ao Lima Duarte, cujo personagem da novela de 1989, ao contrário do atual, era um homem decente.

Por duas vezes, essa tentativa de reverter a crise de imagem apareceu na mídia. No dia 17 de junho, a segunda-feira que registrou os protestos mais incandescentes, Paulo Teixeira, Secretário-Geral do Petê, esteve no Largo da Batata, epicentro das manifestações em São Paulo, comentando depois: 'Enquanto nós lembramos que fizemos muitas coisas boas para o País, a garotada está dizendo Tudo bem, mas nós queremos mais'. Neste domingo 30, dia da final do Brasil contra a Espanha, foi a vez de Lula, que elogiou a postura de Dilma perante as manifestações, dizendo que ela tem sido solidária àqueles que pacificamente vão às ruas, com frases do tipo 'feliz é o pais que tem um povo com liberdade de se manifestar e ainda mais feliz é um pais que tem um povo que vai às ruas querendo mais'. A demonstração de solidariedade foi feita durante sua preleção em um evento sobre segurança alimentar realizado pela União Africana, pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e pelo Instituto Lula, em Adis Abeba, capital da Etiópia. Lula disse acreditar ainda que o povo 'quer mais participação e melhores serviços públicos', como 'resultado do que foi feito nesses 10 anos'; que 'a sociedade deve estar em movimento e não em silêncio'; e, por fim, que considera saudável que as pessoas queiram mais no Brasil, em termos de transportes, saúde, salário e até outras coisas, como questionar o custo da Copa do Mundo. 'Acho que isso é saudável em um pais que vive só pouco mais de 20 e poucos anos de democracia contínua', completou.

Bastante populistas, ambas as abordagens, tanto ao marcar a presença de jovens no âmbito das manifestações, quanto ao reconhecer os anseios da população, respondendo com novas promessas de que sejam atendidas. Nada, contudo, com consistência: apenas mais palavras ao vento.

Uma das providências mais importantes a se tomar é, sem dúvida, a viabilização da reforma política, procrastinada há décadas por um parlamento que não tem qualquer interesse em mudanças. Há porém problemas em relação a isso. Os atuais deputados e senadores, em sua grossa maioria não querem, embora sejam quem tem legitimidade para tocar a iniciativa. A governanta, por sua vez, aproveitando-se do desgaste dos parlamentares e de seu desprezo pela instituição que representam, quer passar por cima do Congresso Nacional usando do expediente do plebiscito, ainda como forma de demonstração (falsa) de apreço pelo distinto eleitor, em cujo colo cairia a responsabilidade de responder a algumas perguntas-chave que, em tese, deverão ajudar a redesenhar o exercício da política no Brasil.

Outro porém nessa história toda é o uso do plebiscito, que é um instrumento democrático, mas que, na atual estratégia petista, vem à tona com o único propósito de capitanear mais força para o Poder Executivo, enfraquecendo o parlamento e aumentando gradativamente o potencial tirânico do ocupante da presidência da República. O sonho dourado das ditaduras bolivarianas de inspiração castrista-chavista, com as quais o partido do governo no Brasil tem relação e inspiração extremamente íntimas.

Resumo da ópera: o momento é de não deixar arrefecer o ânimo dos bons protestos, aqueles pacíficos que guardam honestidade de propósito com os anseios da população. E de rechaçar a ideia do plebiscito, que, decerto, não se encaixa nesse ideário de um Brasil melhor, pelo qual o cidadão de bem vem lutando com tanta perseverança, nessas últimas semanas.

Que a chama não se apague!